São José dos Campos, 22 de fevereiro de 2012

O Condomínio

A História do nosso bairro

A história que narramos aqui remonta há mais de 120 anos. Em 1980 o proprietário destas terras era o Sr. Claudino Prisco da Cunha que provavelmente herdou precocemente de seu pai o Sr. José Prisco da Cunha (morto ainda moço acidentalmente, em uma caçada), esta propriedade onde estamos, e mais 800 alqueires paulista ao redor. O Sr. José Prisco da Cunha era fazendeiro, casado com Dª Maria das Dores e ao que tudo indica era descendente direto (neto) do Barão de Cocais, um dos homens mais ricos do Brasil do século passado, dono das minas de ouro de Morro Velho, mas, isso já é uma outra história. Voltemos aqui no final do século passado, onde como já falamos Sr. Claudino Prisco da Cunha que era casado com Dª Gabriela Augusta de Andrade, era proprietário da chamada Fazenda Velha, porém, o Sr. Claudino tinha o hábito do jogo e, atravessando dificuldades econômicas foi forçado a vender a fazenda em 1905 ao Sr. Flamínio Vaz de Lima, casado com Dª Maria Carvalho Lima. Conta a história que Flamínio chegou a São José dos Campos com muito dinheiro para comprar uma fazenda. O fato é que ele gastou apenas metade do que tinha na compra da propriedade, sendo assim, pode fazer diversos investimentos na mesma, que passou a chamar-se Fazenda Liberdade com área de escritura de 750 alqueires paulista. A Fazenda Liberdade alcançou tal importância econômica para a região que a Central do Brasil construiu uma estação de trem que levou o nome de “Parada Lima”só para escoar com maior rapidez os diversos produtos que a fazenda produzia: banana, laranja, arroz, café, entre outros. O Sr. Flamínio faleceu em 1918, suas filhas continuaram, porém, já vendendo algumas glebas, como por exemplo, onde hoje é o Jardim das Indústrias ao Sr. Carlos Marcondes. O Sr. Flamínio teve dez filhos, sendo que as filhas mais velhas detinham o comando administrativo dos negócios da família. Em 1945, após a morte de Dª Maria Carvalho Lima, “as Limas” como eram conhecidas, venderam o remanescente da gleba já com 480 alqueires, com o nome de Fazenda Sirimbura para o Sr. Arthur Lacerda Pinheiro que era casado com Dª Irene Rosa de Lacerda Pinheiro. O Sr. Lacerda como era conhecido, residia no Rio de Janeiro, onde era proprietária de várias lojas de artigos importados (Sudeletro S/A) e uma fábrica de produtos elétricos (Line Material do Brasil) e, ainda outras duas fazendas de invernada, no Estado de Minas Gerais. Percebendo que o desenvolvimento estava às portas da cidade o Sr. Lacerda fez contato vom várias companhias que queria se instalar no Vale e vendeu duas glebas de terra para atividade industrial, uma para a Ford do Brasil, em 1955 (onde hoje, é a área da Serramar e Avibrás) e no mesmo ano área para o Laboratório Farmacêutico Abott (onde hoje é a National).
Outra característica a ressaltar é que o Sr. Lacerda era muito ligado à Igreja e às dificuldades dela. Sabendo que o número de seminaristas no Brasil diminuía a cada dia, resolveu colaborar e doou uma área de oito alqueires para a Ordem dos Servos de Maria para que fosse construído um seminário e dessa forma contribuir para o aumento dos seminaristas, hoje funciona neste local a Faculdade de Filosofia, a residência dos padres

dessa Congregação e a Escola Monteiro Lobato. O Sr. Lacerda também fundou e doou a escolinha que atendia aos funcionários da Fazenda Sirimbura e moradores do bairro (atual
Escola Estadual Marilda Ferreira Barros Brito Pereira). Em 1965, o Sr. Lacerda vendeu a área onde estamos ao empresário Rafael Jaffet. O remanescente da fazenda, inclusive, a sede (onde hoje é o Termas do Vale), mas, já com apenas 155 alqueires, foi vendido em 1966 aos irmãos Srs. Juan e Jesus Gonzáles Perez. O Sr. Lacerda faleceu no Rio de Janeiro em 1979 e deixou para seus familiares um pequem império imobiliário em várias regiões do Brasil.
Dando continuidade à história do bairro, o Sr. Rafael Jaffet pretendia fazer um grande empreendimento nestas terras, porém, a ditadura militar tirou dele a possibilidade de financiamento de tal feito. Assim, em 1973, vendeu esta gleba de terras à vista a um Sr. Arrojado chamado Rosalbo Bortome, também criador de cavalos que conseguiu fazer uma composição comercial com a Delfim Crédito Imobiliário, que enfim, viabilizou o loteamento Jardim das Colinas.
Finalizando, companheiros, como já dizia o meu avô Flamínio Filho “daí para frente a história é contada por mais gente”.
 

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